Propaganda enganosa: Prefeitura anuncia distribuição de remédios para covid-19, mas dificulta o acesso às medicações

Prefeitura de Chapadinha mente sobre distribuição de medicamentos para covid-19

Qualquer desavisado que veja a página da Prefeitura de Chapadinha na rede social Facebook imagina que o prefeito Magno Bacelar é um gestor cuidadoso, que está fazendo o possível para ajudar a população durante esta pandemia.

Entre as últimas ações divulgadas, por exemplo, está a distribuição de medicamentos nas Unidades Básicas de Saúde, tais como hidroxicloroquina, azitromicina e zinco (protocolo que está salvando vidas no Brasil e no exterior, quando utilizado na fase inicial da doença), além de ivermectina e dipirona. Segundo a publicação, uma vez identificados os sintomas da covid-19, o paciente recebe as medicações acima, caso apresente sintomas leves, ou é encaminhado à rede hospitalar, caso apresente quadro grave.

"A composição do kit garantido a cada paciente depende de avaliação individualizada do caso, avaliação e prescrição médica", diz a página.

Página da Prefeitura de Chapadinha dá a entender que a população está recebendo todas as medicações necessárias

A realidade

Segundo relatos de pessoas acometidas pela doença, familiares e profissionais de saúde, a realidade difere da propaganda governista. Primeiramente, cada posto de saúde teria recebido apenas dez kits de medicamentos, o suficiente para dez pessoas. Em alguns postos, os kits sequer haviam chegado, segundo cidadãos que procuraram atendimento ao verem o anúncio.

Para piorar, nas unidades onde há kits disponíveis, não basta que o doente apresente receita médica prescrevendo hidroxicloroquina. Para ter direito à medicação mais cara e mais difícil de encontrar, o paciente deve ter em mãos a receita, um eletrocardiograma e um termo de autorização devidamente assinado. Palavras do próprio secretário de comunicação de Magno Bacelar, que afirmou ainda que, devido às exigências, está cada vez mais raro o médico indicar a medicação.

Secretário de Magno Bacelar, Alexandre Pinheiro afirma que exigências dificultam o acesso às medicações

Na HUPA (antigo anexo do Hospital Antonio Pontes de Aguiar), atualmente restrita a pacientes com sintomas de covid-19, apenas aqueles que ficam internados têm direito a receber tratamento com cloroquina. Os que são orientados a voltar para casa e ficar em isolamento recebem apenas uma receita para outros medicamentos.

HUPA Chapadinha: Quem não fica internado não tem direito a hidroxicloroquina

Prefeitura recusou doação de 500 cápsulas

No dia 16 de maio, o engenheiro Beto Dantas informou, por meio da rede social Facebook, que havia contraído covid-19, mas já estava quase curado. E também que havia se tratado com um coquetel à base hidroxicloroquina.

Segundo o relato, antes de contrair a doença ele já havia notado a repercussão positiva entre pessoas que se submeteram ao mesmo tratamento.

"Não sou habilitado para tratar de assuntos médicos, mas me sinto na obrigação de externar [...] monitorei nos vários grupos que participo [...] dezenas de pessoas que aderiram ao protocolo que citei acima (liberadas por médicos) e percebi que a adesão na primeira fase da doença [...] mostrou-se plenamente eficiente, todos se recuperaram. Conversando com profissionais médicos da linha de frente do combate, é quase unânime o reconhecimento da eficácia do coquetel", explicou Beto Dantas.

Na ocasião, ele anunciou a compra de 500 cápsulas da medicação para serem doadas à Prefeitura de Chapadinha, para utilização no tratamento de pacientes da rede pública.

"Venho humildemente implorar que ele [prefeito de Chapadinha] disponibilize esse coquetel em quantidade suficiente para quem está em tratamento domiciliar, para que não necessitem de internação. [...] Li durante a semana que foram adquiridos [pela prefeitura] apenas 1.000 comprimidos [...], minha empresa adquiriu 500 (quinhentos) comprimidos [...] peço que algum representante da secretaria municipal de saúde [...] entre em contato comigo e venha buscar".

No dia 20, porém, Beto voltou a usar a referida rede social e o que ele disse deixou muita gente perplexa: nem o prefeito Magno Bacelar, nem qualquer outro representante da prefeitura entrou em contato para receber a doação. Simplesmente ignoraram.

"Embora tendo sido oferecido em meu perfil a doação integral à Secretaria de Saúde local, não houve qualquer manifestação de interesse de qualquer membro", informou o engenheiro.

Os comprimidos foram então repassados a terceiros, para que fossem doados diretamente aos cidadãos com receita médica, de baixa renda e que estivessem no início dos sintomas.

Em resumo, ainda bem que nossa população está se ajudando nesse momento tão difícil. Porque, se dependesse da gestão municipal, já estaríamos cavando covas coletivas em terrenos baldios.

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