OMS admite que alguns países têm que adotar isolamento parcial para que as pessoas possam trabalhar

Diretor-geral da OMS admite que alguns países devem adotar isolamento parcial

Em coletiva concedida nesta segunda-feira, 30, o diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Tedros Ghebreyesus, foi questionado sobre a situação da população pobre em países como a Índia, que adotam o lockdown (quarentena) para conter o avanço do novo coronavírus.

Ghebreyesus respondeu que não só a Índia, mas todos os países devem levar em conta essa situação no momento de decidir pela quarentena.

Segundo ele, o isolamento pode ganhar tempo (diminuindo a velocidade de propagação do vírus), mas cada país tem suas diferenças e mesmo o país mais rico pode ter pessoas que precisam trabalhar para ganhar seu pão de cada dia.

"E os governos têm que levar essa população em conta, ok? Se fecharmos ou limitarmos movimentos, o que acontecerá com estas pessoas que têm que trabalhar diariamente e têm que ganhar seu pão todos os dias?", reiterou o diretor-geral da OMS, afirmando ainda que veio de família pobre e sabe o que significa estar sempre preocupado com o pão de cada dia.

A fala de Ghebreyesus caiu como uma bomba entre aqueles que defendem o isolamento geral como única defesa contra a pandemia e dizem que basta o governo conceder auxílios para autônomos e necessitados, para evitar o colapso econômico. Tais defensores sempre citaram a OMS como fonte "superior e incontestável" de suas alegações. Agora vem o diretor-geral e afirma que sempre haverá quem precise trabalhar diariamente e nem todos os países têm recursos para socorrer essas pessoas (caso do Brasil, se a quarentena por aqui não for flexibilizada e/ou se estender demais).

Segue abaixo o vídeo da resposta, que viralizou nas redes sociais, e em seguida a transcrição:


"Então, no assunto lockdown, no chamado lockdown... Talvez alguns países já tenham tomado medidas para o distanciamento físico, fechando escolas, impedindo aglomerações, e assim por diante. Isso pode ganhar tempo. Mas ao mesmo tempo, cada país é diferente. Alguns países têm sistema de auxílio social forte e alguns países não. E sou da África, como vocês sabem. E sei que muitas pessoas realmente têm que trabalhar todos os dias para ganharem seu pão de cada dia. E os governos têm que levar essa população em conta, ok? Se fecharmos ou limitarmos movimentos, o que acontecerá com estas pessoas que têm que trabalhar diariamente e têm que ganhar seu pão todos os dias?

Então cada país, baseado em sua situação, deve responder a essa questão. Não estamos vendo isso como uma questão de impacto econômico, uma perda média do PIB ou como repercussões econômicas. Também temos que ver o que isso significa para o indivíduo na rua. Talvez eu tenha dito muitas vezes, eu venho de uma família pobre. E sei o que significa estar sempre preocupado com seu pão de cada dia.

E isso tem que ser levado em conta, porque cada indivíduo importa. E a maneira como cada indivíduo é afetado por nossas ações tem que ser considerada. E é isso que estamos dizendo. É sobre qualquer país, não é sobre a Índia, é sobre qualquer país na Terra. Mesmo o país mais rico na Terra pode ter pessoas que precisam trabalhar para ganhar seu pão de cada dia. Nenhum país está imune."
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