Após bate-boca e pedidos de cassação, vereadores fazem as pazes. Briga por assessores pode ter sido o estopim.

Vereadores Marcelo Meneses e Vera fazem as pazes.

Pouca gente sabe, mas o motivo do recente embate entre os vereadores Marcelo Meneses e Vera Lúcia, que culminou em pedidos mútuos de cassação, pode ter sido uma briga por assessores.

Antes do bate-boca, Vera explicou que o dinheiro repassado à Câmara não é suficiente para que cada vereador tenha dois assessores. Segundo consta, por estar na presidência e dispor de mais gente à sua disposição, ela teria cedido algumas vagas de seu gabinete para seus colegas governistas, para que ficassem com dois assessores, enquanto os vereadores de oposição continuaram com um. Vera afirmou que, no segundo semestre de 2017, chegou a dar mais um assessor aos vereadores de oposição, mas teve que exonerá-los antes do mês de dezembro.

Mais recentemente, a presidente decidiu retirar seus assessores cedidos aos governistas para colocá-los à disposição dos vereadores de oposição, pois, segundo ela, os oposicionistas também teriam esse direito e os governistas não poderiam reclamar, uma vez que já tinham passado algum tempo com mais assessores que seus colegas. E foi assim que os vereadores Nonato Baleco, Missecley, Marcely Gomes, Luís Barbeiro e Marcelo Meneses perderam seus segundos assessores para a oposição.

Causou estranheza Vera ter tomado essa decisão após a eleição da mesa diretora para o 2º biênio (2018/2019), em que ela venceu a chapa formada por governistas com a ajuda dos votos da oposição, garantindo mais dois anos na presidência da casa. Mais estranho ainda foi o fato de Marcelo Meneses ter começado a cobrar transparência nas contas da Câmara somente após perder seu segundo assessor, irritando a presidente que acabou por chamar o pai do vereador de corrupto e, em retaliação, foi chamada de ladra [ouça aqui].

Após o arranca-rabo, o povo esperava que as sessões seguintes fossem tensas e reveladoras, mas em vez de mais acusações ou apresentação de provas, a galeria testemunhou pedidos de desculpas recíprocos e o arquivamento dos pedidos de cassação, além de surtos de amnésia. Afinal, o vereador Marcelo parece ter esquecido que Vera não conduz a Câmara com a transparência devida, conforme havia denunciado dias antes. E ela também parece já não lembrar que foi chamada de "a maior ladra de todos os presidentes da Câmara de Chapadinha".

Só restou a indagação: Todos os outros presidentes eram ladrões, mas roubavam menos, é isso? Ninguém mais sabe, ninguém mais viu. Foi amnésia coletiva.