28/02/2014

Sobre os 'deslizes' do padre e a hipocrisia sem fim dos herdeiros da 'santa inquisição'

Chapadinha-MA: Padre Neves - Inquisição

Meses atrás vi uma imagem postada no Facebook que mostrava um carro estacionado sobre a pracinha (ou passeio) atrás da Igreja Matriz de Chapadinha (foto abaixo). O veículo, segundo os comentários, pertencia e era conduzido pelo pároco local, Manuel Neves. Não "curti" nem comentei, afinal o flagra já havia sido dado. Limitei-me a ler e curtir alguns comentários, grande parte criticando ou ironizando o "deslize" do padre, outros aproveitando para postar mais fotos, de outras infrações semelhantes cometidas no centro da cidade.

Chapadinha-MA: Padre Neves - Carro 01
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Pois bem, no último dia 16 fui lanchar na D'Capri e me deparei com outro veículo estacionado em frente ao local que, ressalte-se, fica situado numa esquina (foto abaixo). Um funcionário se mostrava indignado, ainda mais porque o responsável tinha sido o Sr. Manuel Neves e a igreja possuía estacionamento próprio - ele fazia questão de frisar. Cerca de 40 minutos depois ele não se conteve e foi à igreja, durante a celebração da missa, e voltou de lá com um rapaz que retirou o veículo do local. Antes, porém, eu já havia registrado e postado na mesma rede social, chamando a atenção para o novo "deslize" do pároco.

Chapadinha-MA: Padre Neves - Carro 02
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Pronto! Foi o que bastou para alguns hipócritas locais me crucificarem!!! Fosse no finzinho da idade média eu teria sido acusado de heresia e ido para a fogueira, não tenham dúvidas, tudo porque "ousei" apontar o erro de um padre. Logo de um padre, que pecado monstruoso!!! Mas graças a Deus estamos em pleno século XXI e a "santa inquisição" há muito foi extinta, apesar de ainda existir na mente deturpada de alguns fanáticos.

Em vez de pedirem desculpas pelo novo deslize - e sem poder fazer uso da "fogueira santa" -, Neves e seus seguidores resolveram tentar me queimar virtualmente me acusando de tudo, de xenofóbico a criminoso. Mesmo cientes de que nada disse sobre a origem portuguesa dele. Mesmo cientes de que meu nome não consta em nenhum Rol dos Culpados nesta comarca ou em qualquer outra. Não tenho culpa se algumas pessoas aproveitaram o ensejo para externar sua insatisfação com o pároco - o culpado disso foi o próprio, conforme explicarei mais adiante.

Numa das "respostas da paróquia" chegaram ao cúmulo de insinuar que o carro não estava estacionado, mas apenas "parado" durante uma suposta operação de carga e descarga! Ora, não fosse o funcionário da D'Capri ter tomado uma providência o veículo (que não estava carregando ou descarregando nada) teria ficado lá até o final da missa, talvez mais. Uma semana depois, na mesma rede social, apareceu um tal de "Tiago Não Sei O Quê" se dizendo responsável pela infração. Pediu ele desculpas pelo erro que assumiu? Aonde! Em vez disso também resolveu se voltar contra a pessoa que fez o flagra. E dá-lhe mais acusações levianas contra mim. Ouvi dizer que se trata de um "missionário", mas duvido. Alguém a serviço de Deus jamais se portaria desta forma, disso tenho certeza.

Até para o lado da politicagem tentaram levar o caso, como se infração de trânsito tivesse algo a ver com política. Mas nada de se admirar, considerando quem deu início à lorota: o vereador Eduardo Braga, aquele que recebia dinheiro público ilegalmente no governo anterior (veja aqui) e foi representado na Promotoria de Justiça, por este que vos escreve. Eis o motivo do ódio que ele nutre por mim e faz questão de externar até na tribuna Câmara, onde picuinhas pessoais não deveriam ser discutidas. Mas quanto a isso já disse e repito: basta ele devolver o dinheiro do povo que eu paro de cobrar. Muito simples!

O mais interessante é que Neves e seus pupilos nada disseram por ocasião do primeiro flagra, aquele do carro sobre a pracinha. Só posso deduzir que acreditam que minhas postagens têm mais visibilidade, ou que gozo de mais credibilidade, sei lá, caso contrário teriam feito "vista grossa" como da primeira vez e não partido para acusações levianas.

Também não sou nenhum santo no trânsito. Já devo ter estacionado em local proibido também, já atendi o celular dirigindo, esqueço o cinto com frequência... E se alguém flagrasse um erro desses e postasse na internet, de que adiantaria eu sair difamando a pessoa se o errado tinha sido eu? Não seria mais sensato - e digno - assumir o erro e me desculpar pelo deslize? Ainda que fosse "indireto"? Ah, mas o caso em questão é diferente, o homem é padre! E, segundo os herdeiros chapadinhenses da santa inquisição, apontar erro de padre é crime! É politicagem!! É xenofobia!!!

Ao contrário do que pensam esses néscios, devo muito ao Padre Neves, muito mesmo. Quando criança também pensava que padres e outros líderes cristãos eram seres superiores, mas foram justamente as atitudes do próprio que abriram meus olhos.

Nunca esquecerei, por exemplo, do caso ocorrido com um amigo de infância, Edson Cabral. Ele adorava ir à Igreja Matriz, assistir a missa. Procurava sentar-se sempre no banco da frente, para não perder nada. Certo dia perdeu o horário e foi vestido como estava, short, camiseta desbotada, sandálias do tipo havaianas. Na sua mente de criança não tinha nada de errado (e não tinha mesmo!), mas ele não pôde assistir a missa: Neves o expulsou por não estar "vestido adequadamente" para a celebração. Desde então, a família dele passou a frequentar a igreja Testemunhas de Jeová. E de lá para cá, soube de inúmeros outros casos parecidos.

Minha postagem não teve por objetivo difamar o pároco, até porque o erro é muito pequeno para manchar sua imagem, tampouco sou contra suas incursões no meio político, é um direito dele como cidadão e mais que um dever, como cristão. Também não critico suas atitudes de cunho religioso, nem quando soam inconsequentes, como quando ele criticou duramente os organizadores da última jornada pedagógica (Cresu/FAP) por terem distribuído preservativos aos participantes. Ele apenas cumpriu seu dever como líder católico, pregando o sexo seguro do casamento monogâmico e repudiando os excessos que ocorrem nos carnavais.

O objetivo da minha postagem foi outro e consolida-se nesse texto que agora escrevo: provar ao pároco (e a quem interessar possa) que ele também erra, logo deveria ser mais comedido ao corrigir os (supostos) erros alheios. Se aos olhos de Deus e da lei todos são iguais, ele não está - nem moralmente, nem legalmente - acima de ninguém. Como líder religioso, sua posição é bem mais delicada com relação a "erros", logo o pároco deveria se ocupar mais em policiar a si mesmo que aos outros.

Em toda a minha vida nunca vi um evangélico se queixar que foi constrangido por seu pastor por causa da roupa que usava, por conviver com alguém e ainda não ter casado na igreja, que foi expulso da igreja na frente de todos, que o pastor deu "cascudos" em seu filho, que o pastor passou o culto inteiro falando em política... Não é à toa que a Igreja Católica vem perdendo tantos fiéis para as outras! Há momentos, lugares e maneiras adequadas para tudo: para um pai repreender seu filho, um chefe chamar a atenção de seu empregado, um professor orientar seu aluno e - também! - para um padre "corrigir" os fiéis de sua igreja.

Os outros padres de Chapadinha, a exemplo do Papa Francisco, procuram exercer sua missão de maneira muito mais adequada aos ensinamentos do Cristo, àquela humildade descrita nos evangelhos, e nem por isso perdem o respeito dos católicos, muito pelo contrário, ganham mais a cada dia. Só o chefe maior da paróquia é que insiste em se comportar de maneira autoritária, medieval. Já perdi a conta de quantas queixas ouvi nesse sentido e, mesmo assim, existe um grupo que ainda vive no passado, que confunde "autoritarismo" com "autoridade", que se ofende no íntimo quando seu "grande líder" é criticado... A esses, só me resta recomendar que oficializem sua servidão e usem uma coleira com o nome do dito líder. Nada mais posso fazer.

Não preciso nem dizer o quanto é vergonhoso para Chapadinha o blog oficial da Paróquia de Nossa Sra. das Dores servir de instrumento para difamar e caluniar os outros. Simplesmente ridículo! Acho até que desceu mais baixo que muitos por aí, vez que esses outros não tem a obrigação de se pautarem por princípios cristãos.

Que fique registrado: não tenho medo de fogueira virtual. E, dependendo da intensidade das chamas, sei muito bem onde e como buscar a devida reparação.

Finalizo com uma frase de Zizek, inteligível para qualquer criança, que resume bem toda essa balbúrdia que Neves e seus seguidores criaram em torno da minha postagem:

............"Alguém que está pronto para me prejudicar se eu o contrariar não pode realmente me amar e estar devotado à minha felicidade, como afirma".
(Slavoj Zizek, filósofo)

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