José Sarney: Saudades do passado...

Em sua coluna no jornal O Estado do Maranhão, intitulada "Maravilhoso mundo", José Sarney demonstra que está com saudades do passado.

Também pudera. O presente do grupo Sarney não é dos mais alvissareiros.

Pela primeira vez em quase meio século de mando, o velho oligarca se vê diante da inversão de uma lógica que parecia perene: uma oposição unida e vitoriosa avança apesar dos poderes brutais do sarneysmo, grupo que, por sua vez, convive com a incapacidade de renovação de quadros e o apodrecimento em praça pública de suas lideranças tradicionais.

Até João Alberto, de uma lealdade canina ao chefe, começa a esboçar uma insatisfação que ultrapassa a verborragia de sua personalidade destemperada, com acenos simpáticos ao grupo político do prefeito eleito, Edivaldo Holanda.

Acostumado aos embates internos entre os aliados, sempre contornados com alguma benesse negociada às custas do erário público, Sarney até aqui teve o trabalho facilitado pela existência de uma oposição que sempre encontrou dificuldades para organizar um projeto único.

Parece ser o fim de uma era

Agora, José Sarney começa a sentir saudades de um tempo que passou. Em um texto delirante, com excesso de citações, na tentativa sempre desesperada de mostrar erudição, ele mistura pensamentos sobre o passado, o moderno, o presente, o futuro e se perde em elucubrações sobre um distante Afeganistão.

No fundo, o texto revela o saudosismo por um discurso de modernidade nascido no Maranhão pela boca do próprio, que virou governador celebrando a possibilidade de um Maranhão que se abria para a modernidade. Ficou no discurso, a realidade seguiu os caminhos de permanência do atraso.

Sarney deixa escapar uma confissão: Para ele, o presente "é uma inconformação com o sofrimento, com o medo e com o próprio presente". Parece ser o discurso de alguém que sabe que seu tempo já passou.

Pelo jeito, o maravilhoso mundo de Zé Sarney, aos poucos vai virando poeira no tempo.


Fonte: Marrapá
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