Certa vez estive em um aniversário do filho de um amigo e depois dos parabéns, fiquei a observar a angústia da mãe da criança na hora da divisão do bolo.

Depois da alegria protocolar de receber a primeira fatia, a distribuição dos pedaços do bolo começou junto com o alvoroço das crianças. Diz a sabedoria popular que coração de mãe transborda bondade, e esta mãe, como tantas outras, tentava agradar a todos, mesmo percebendo que o bolo não seria suficiente.

Crianças com pouca idade geralmente são egocêntricas... Elas não se importavam com a mãe aflita, apenas consigo mesmas. Logo, a confusão estava armada. Algumas choravam por não ter recebido um pedaço enquanto outras se empanturravam com uma generosa fatia.

Nessa época de eleições, a prefeita assemelha-se àquela mãe que tenta dividir o bolo (recursos da prefeitura) entre as criancinhas (vereadores, secretários, candidatos e cabos eleitorais). A diferença é que não há bondade em quem divide o bolo, e este bolo não é pequeno ou insuficiente. Assim como as criancinhas, não reclamam por necessidade, mas por gula (ganância).

Alguns usam e abusam dos recursos da prefeitura enquanto outros observam enciumados e sentindo-se preteridos. Pessoas que participaram do governo apoiando o grupo por 12 anos estranham as oportunidades que as "novas aquisições governamentais" têm acesso. Parece mesmo que santo de casa não faz milagre...

Enquanto isso, os "forasteiros" deitam e rolam distribuindo empregos e fazendo tráfico de influência. Notícias dão conta que essa farra vai acabar... Não que a Prefeita vá moralizar a administração, mas que os preteridos querem aproveitar-se dessa desmoralização administrativa também.

Fica a dúvida: a quem dirigir a reclamação? Danúbia ou Magno? Quem manda em quê? O governo assemelha-se a uma galinha degolada, que pula e convulsiona sem direção definida. A farra das contratações não acabará, mas parece que apenas será redirecionada.

Enquanto ocorre essa festa para poucos convidados, com bolo recheado e regada à corrupção, o povo continua à míngua, sem hospitais, ambulâncias, educação, merenda escolar... e sem bolo.


Dr. Ernani Maia
(Cirurgião-Dentista)




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