Ninguém escolhe ficar doente. É a doença que se impõe. Além de não respeitar nossa liberdade, ainda nos proíbe o direito de ir e vir. Prende-nos numa cama, leva-nos para um hospital, faz-nos sofrer na rede de uma varanda. E obriga-nos à reconciliação e harmonização com o próprio corpo, a parar nossas atividades e dar ao corpo toda a atenção e cuidados. E ainda a incomodar familiares para que nos assistam, médicos para que nos consultem e técnicos de farmácia para que nos vendam remédios. E isto acontece a todos, desde o Presidente até ao simples caboclo. Doença é um apelo à fraternidade e ao sentido de igualdade. Tanto pobres como ricos, adultos como jovens, idosos como crianças... todos somos tocados por doenças e precisamos dos outros. Diante desta realidade, resta-nos alimentar uma atitude lógica de fraternidade e solidariedade. Na parábola do Bom Samaritano, aparecem sete verbos que nos indicam como nos devemos aprimorar: ver, compadecer-se, aproximar-se, curar, colocar no próprio animal, levar à hospedaria, cuidar.

Durante a Quaresma, em reuniões sobre o tema da Campanha da Fraternidade, aconteceram debates acesos, discussões animadas, queixas graves... A comunidade da Boa Vista alugou um carro de som e um grupo grande de gente veio à Secretaria de Saúde lamentar a situação do Posto de Saúde do bairro. Não foi incentivo dos funcionários, foi iniciativa da comunidade local. A Paróquia assume e pede que se respeite iniciativas como esta e que não se dissolvam na procura de razões políticas. Muitos grupos pedem um processo público em tribunal para que seja explicada à população a razão de tamanho descuido com a Saúde Pública. Há abandono exagerado nos lugares de atendimento, há funcionários públicos, no setor da Saúde, que têm empregos a mais aqui e em S. Luis e não se dedicam como deviam, há dinheiro da Saúde aplicado em Instituições que nada têm a ver com a Saúde... Mas concordamos também que todos temos responsabilidade na situação: olhem como se corre com motocicletas na cidade, como se conduz na embriaguês, como há incentivo à bebida alcoólica nas concentrações e festas, como nos lugares mais nobres da cidade, no meio das praças, e em qualquer esquina, não licenciados, há bares, como se abusa do som alto que ensurdece... Há uma cultura do descuido, com imensos hábitos maus, que tem que ser mudada. Será ocasião para todos pensarmos: "é melhor prevenir que remediar". Nem todos temos dinheiro para ir tratar nossas doenças num bom hospital em S. Paulo!


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