Pela primeira vez, a Secretaria de Saúde de Chapadinha contestou, oficialmente, um de nossos artigos sobre a situação caótica do setor. Mais precisamente, o texto sobre os reais motivos de Chapadinha ter sido incluída no plano de combate à dengue do Ministério da Saúde (MS).


Segundo um blog da prefeitura, o coordenador da Vigilância Sanitária e Epidemiológica, Jeovane Faria Lima, informou que nossa cidade teria sido "contemplada" pelo projeto e que o acréscimo de 20% nos recursos nada tem com o aumento de casos da doença, mas "estritamente" com os focos do mosquito e as ações preventivas. Prova disso seria o nº. de casos registrados em Chapadinha no ano passado, que teria ficado abaixo do considerado "aceitável" pelo governo, ou menos de 1% - disse o coordenador.

Considerando que a (imensa) maioria das pessoas que "pegam dengue" em nossa cidade não procuram os hospitais, deixemos de lado esses números falhos da Secretaria de Saúde e vamos direto ao ponto: Chapadinha teria sido incluída no programa do MS apenas por conta dos focos do mosquito e das ações preventivas - e não do número de casos da doença, como informamos.

Bom, em primeiro lugar, conforme exposto em nosso artigo anterior, não fui eu quem criou os critérios para a seleção dos municípios, mas sim o Ministério da Saúde, por meio do art. 1º, parágrafo único, da portaria 2.557, de 28 de Outubro/2011 (e demais normas que a complementam), transcrito a seguir:

Art. 1º [..] Parágrafo único. Para seleção dos Municípios prioritários foram adotados os seguintes critérios:

I - capital de Estado;
II - regiões metropolitanas de capitais com registro de casos autóctones;
III -Municípios de áreas endêmicas de dengue com população igual ou superior a 50.000 habitantes; e
IV - Municípios com população inferior a 50.000 habitantes com notificação acima de 300 casos por 100.000 hab, em pelo menos um dos anos, no período de 2007 a 2011.

Como Chapadinha não é capital (I), nem região metropolitana (II) e não tem população inferior a 50 mil habitantes (IV), ela foi selecionada pelo disposto no inciso III: por possuir "área endêmica de dengue".

A palavra "endêmica" vem de "endemia": doença infecciosa que ocorre habitualmente e com incidência significativa em dada população e/ou região (Houaiss); ou ainda doença infecciosa presente de forma persistente e permanente numa zona geográfica, afectando um número considerável dos seus habitantes (Medipedia). Como exemplo, há áreas endêmicas de cólera no Paquistão; de febre amarela e malária na Amazônia; de dengue no Maranhão. Chapadinha é uma dessas áreas. Eis a razão de ter sido considerada prioritária.

E não adianta tentarem tapar o sol com peneira: Chapadinha ser considerada área endêmica de qualquer doença que seja não é nenhum motivo de orgulho. Longe disso, é mais uma prova da falta de planejamento e compromisso desse (des)governo com a saúde da população.

No mais, agradecemos a Secretaria de Saúde pela atenção dada a nosso blog e, desde já, convidamos Dra. Coutinho a digitar "saúde" em nosso campo de pesquisas (no topo, abaixo da foto da cidade) de modo a ler nossos outros artigos sobre o assunto e contestá-los também. Aguardamos ansiosamente...

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