Desde o início do 10º BBB circula na internet um texto atribuído a Luís Fernando Veríssimo que tece duras críticas sobre o reality show global.

Devido à enorme audiência do programa, à aversão que ele aparentemente causa em certas pessoas e ao renome do suposto autor, o artigo vem sendo cada vez mais divulgado em blogs e redes sociais. Vale ressaltar que, a cada ano, o texto muda de maneira a "se adequar" ao momento. Abaixo, um resumo dele:

"... difícil encontrar as palavras adequadas para qualificar tamanho atentado à nossa modesta inteligência. [...] acho que cada um faz da vida o que quer, mas sou contra safadeza ao vivo na TV, seja entre homossexuais ou heterossexuais. [...] esse programa é a morte da cultura, de valores e princípios, da moral, da ética e da dignidade. [...] São esses nossos exemplos de heróis? [...] Heróis são milhares de brasileiros que sequer tem um prato de comida por dia e um colchão decente para dormir, e conseguem sobreviver a isso todo santo dia. [...] E ai vem algum psicólogo de vanguarda e me diz que o BBB ajuda a "entender o comportamento humano". Ah, tenha dó!!! [...] se vinte e nove milhões de pessoas ligarem a cada paredão, com o custo da ligação a trinta centavos, a Rede Globo e a Telefônica arrecadam oito milhões e setecentos mil reais. [...] Já imaginaram quanto poderia ser feito com essa quantia se fosse dedicada a programas de inclusão social, moradia, alimentação, ensino e saúde de muitos brasileiros?"

Confesso que acompanhei quase toda a 1ª edição do BBB (e, talvez, metade da 2ª), afinal era novidade, mas não demorou até que eu percebesse que estava desperdiçando meu tempo. Nada contra quem assiste e gosta: cada um tem o direito de gastar seu tempo livre da forma que desejar, gosto é gosto! Quanto ao texto acima, não é de Veríssimo.

O site E-farsas.com, que há quase 10 anos desmistifica histórias publicadas na net, descobriu que, no dia 04/04/10, o próprio Veríssimo afirmou ao jornalista Ricardo Noblat (O Globo):

"Não fui eu que escrevi.

Não poderia escrever nada sobre o 'Big Brother Brasil', a favor ou contra, porque sou um dos três ou quatro brasileiros que nunca o acompanharam. O pouco que vi do programa, de passagem, zapeando entre canais, só me deixou perplexo: o que, afinal, atraía tanto as pessoas - além do voyeurismo natural da espécie - numa jaula de gente em exibição?

Falha minha, sem dúvida. Se prestasse mais atenção talvez descobrisse o valor sociológico que, como já ouvi dizerem, redime o programa e explica seu fascínio. [...] Os 'Big Brothers' e similares fazem sucesso no mundo todo. Provavelmente eu e os outros três ou quatro resistentes apenas não pegamos o espírito da coisa."

Com a maestria e o humor que lhe são peculiares, Veríssimo negou ser o autor do famoso artigo. Por fim, o texto é de autoria de Marcelo Guido, que o publicou no portal Usina de Letras sob o título "BBB: Bela Bo$ta Bra$ileira".

E quanto à suposta "má-qualidade" do programa, me chamou a atenção a crítica do jornalista mineiro Everaldo Vilela, na qual ele discorre justamente sobre o texto atribuído a Veríssimo. Alguns trechos:

"... sou capaz de apostar que o texto não foi escrito por Luis Fernando Veríssimo. [...] Falar mal por falar mal não tem a menor graça. E falar mal do BBB virou moda. [...]

[...] a 'banalização do sexo', ora, isso é feito em novelas há muito mais tempo; Programas de auditório das tardes de domingo fazem isso desde a Rita Cadillac no Chacrinha;

No fim o texto se vale de clichês acerca de heróis se referindo à trabalhadores, enfermos, etc. Aí questiona o uso do dinheiro envolvido no paredão. [...] Aí eu pergunto: Já imaginaram o quanto poderia ser feito se você utilizasse metade desse engajamento que tem para falar mal das coisas cobrando dos seus políticos corruptos? Já imaginaram o quanto poderia ser feito pela saúde se nós cobrássemos de nossos governantes a prestação de contas do dinheiro da CPMF que deveria ser destinado para tal? [...]

Somos hipocrisia pura!!"

O autor continua, comparando o BBB a um espelho no qual muita gente não gosta de se ver refletida e detonando o que ele classifica como "intelectualóides de plantão" (leia aqui). Mas o que chamou minha atenção no texto de Vilela foi o "tapa" que ele deu naqueles que só sabem criticar, criticar e nada fazem para resolver o que consideram encontrar-se errado.


Em suma, se não gostamos do BBB deveríamos começar definindo o motivo: se não faz nosso estilo, nos incomoda, basta mudar o canal, simples assim! Má influência? Incentivemos nossas crianças a praticar atividades mais saudáveis, pedagógicas, mas sem baixar a guarda, claro, vez que hoje em dia elas podem se deparar com situações muito mais picantes ou fúteis onde menos imaginamos (na escola, por exemplo).

Quanto aos milhões "doados" à Globo a cada semana, supondo que, assim como eu, você também não vote nos paredões, nada temos a ver com isso. Eles saem dos bolsos de quem acompanha e gosta de interagir com o programa. Dos nossos saem os bilhões desviados da Saúde, Educação, do saneamento - esses, sim, motivos de preocupação.

Nem todas as pessoas que criticam o BBB são hipócritas, lógico, mas se pelo menos metade dedicasse parte de seu "tempo livre" para fiscalizar - e, caso necessário, denunciar - nossos governantes e parlamentares, ganharíamos muito mais, não é verdade? #Fica_a_dica

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