Em Chapadinha, os ricos e "estudados" gozariam de mais credibilidade que os menos favorecidos? Sem querer polemizar, falo do antigo hábito brasileiro de divinizar "doutores" em detrimento de quem não teve as mesmas oportunidades...

Estaria ocorrendo o mesmo em nossa cidade? Analisemos o caso de Noé, que teve a cabeça separada do corpo durante um parto forçado no HCC:

- Versão de Sérgio Barbosa (médico): "O bebê chegou ao hospital morto. Eu tive que fazer uma cesárea e cortar a cabeça para poder tirar o bebê e conseguir salvar a mãe. [...] a criança já estava com as pernas e parte do quadril para o lado de fora, e com a cabeça presa na vagina. [...] tentei fazer manobras para liberar a cabeça, mas estava presa. Como o bebê não tinha batimentos, estava morto, busquei salvar a mãe. [...] Expliquei para a mãe e a avó, mas elas acham isso algo fantasmagórico." (fonte: G1)

- Versão de Osmarina (avó da criança): diz não ter recebido explicações do hospital e do obstetra sobre o caso. "Estávamos esperando com um berço e o médico me chama para dizer que havia tentado salvar a criança, mas não conseguiu. [...] Foi neste momento que vimos que o pescoço havia sido decepado" (G1) "Ela [a mãe] disse que o menino estava 'bulindo' nas pernas dela quando ele [o médico] puxou e a criança 'engatou'. Ele disse a gente vai colocar numa caixa, lacrado, e quando você chegar lá tome as providências de fazer o sepulcro e não 'carece' tirar os panos não" (áudio e vídeo do blog Chapadinha Anúncios).

Aí estão: Duas versões completamente contraditórias! O médico diz que a criança chegou morta ao hospital, mas, segundo a avó, o próprio teria lhe dito que havia tentado "salvá-la", além de sua filha ter relatado que o bebê estava se movendo (bulindo) durante o parto. O médico diz ter explicado tudo às duas. A avó nega e relata uma "recomendação" bastante suspeita: enterrar a criança sem desenfaixá-la.

O obstetra consultado pelo G1 relatou que a família teria "julgado" o médico por ter decepado a criança, mas "deviam tê-lo louvado por salvar a mulher". Porém, ele não estava presente durante o fato e o analisou de acordo com o que "o médico Barbosa relatou que ocorreu no Maranhão". Ou seja, de volta à estaca zero: a palavra do médico contra a dos familiares da criança. Em quem acreditar?

Os jornali$tas pagos pela prefeita já começaram a afrontar quem acredita na versão da família, taxando-os de "oposicionistas"... Na verdade, estão com medo de perder sua "tetinha", vez que - como não poderia deixar de ser - o caso foi relacionado ao caos instaurado na saúde e isso poderia prejudicar seus patrões (e empregos) nesse ano eleitoral.

Mas como não relacionar o que ocorreu quinta-feira com o caso do menino Renan, que foi velado vivo após ter sido declarado morto pelo mesmo médico? Como não relembrar que esse mesmo médico queimou as costas de um bebê de 2 meses? Como não citar o caso da menina Pietra e inúmeras outras mortes suspeitas? Como não lembrar de pacientes comprando medicamentos e materiais para poder ser atendidos? E quanto à falta de ambulâncias? Se um fato leva a outro, como não questionar, Senhores, onde foram parar os mais de R$ 18 milhões destinados à saúde em 2011?

E, finalmente, se a versão do médico que atendeu a mãe de Noé é verídica, por que raios a direção do hospital e a secretária municipal de saúde não quiseram entregar o atestado de óbito e o prontuário à família, mesmo após a intervenção de um juiz de direito?

Em suma, revoltar-se com o caso Noé de modo algum caracteriza politicagem, mas "querer tratá-lo como se fosse isolado", sim! Lembremos, também, que a perícia de Dr. Sérgio é tão reconhecida quanto seu histórico de erros grotescos, na cidade.

Considerando tudo o que ocorreu - e vem ocorrendo - em nossa Saúde, bem como os "antecedentes" do médico em questão, atribuir o mesmo peso às duas versões seria, claramente, depreciar a palavra da família em favor da do "Doutor"... Se bem que, em nosso país, tal fato não seria nenhuma novidade.

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