O professor e sociólogo Iranilton Araújo Avelar - ou Iran Avelar - nos enviou um texto que interessa a todos o chapadinhenses e demais habitantes de nossa região, no qual faz um retrospecto da atuação da Susano Energia Renovável em sua cidade natal, Urbano Santos-MA.

Em resumo, seu texto compara a empresa a algo como "uma nuvem de gafanhotos", que por décadas teria se servido de seu município e, após acabar com seus recursos naturais, escolheu outra "lavoura", no caso, Chapadinha. O texto foi enviado, também, a outros blogs da cidade. Leiam-no na íntegra:


"Amigos do Chapadinha Online e demais chapadinhenses, cidade onde trabalho (Sou Prof. no Raimundo Araujo). Apesar de morar em Urbano Santos, estou todos os dias na chapada.

Urbano Santos hoje se vê traída pela Suzano, foi aqui que eles desembarcaram em 1980, geraram empregos sim, mas deixaram um rastro de destruição ambiental: perdemos nosso cerrado, nosso bacuri, pequi, mangaba, mel, jaborandi, fava danta, para os plantios de eucalipto; perdemos nosso equilíbrio ecológico, nossa biodiversidade; perdemos a força dos nossos grandes rios e riachos; alteramos nossa paisagem de lindos cerrados para a monotonia das florestas intermináveis de eucalipto; testemunhamos conflitos de terra e vimos o seu preço inflacionar do equivalente a R$ 8,00 o hectare para R$ 800,00, inviabilizando o lavrador de adquirir terra para suas gerações futuras; sentimos na pele o calor aumentar e as chuvas diminuirem passando direto para outras regioes do estado; hoje a sede da cidade está inchada e o cenário é desolador nos povoados rurais; acabou a fartura, comunidades inteiras foram simplesmente extintas.

Hoje a Suzano volta as costas para Urbano Santos e desembarca em Chapadinha esquecendo que deveria ter compromisso social em compensar minha cidade. O protocolo assinado pela prefeita de Chapadinha, o mesmo que foi apresentado para o pref. de Urbano Santos (que pediu tempo para analisar), é a maior prova do desrespeito da empresa com a regiao: foi elaborado somente por eles, eles não aceitam alterações e é só "venha a nós, ao vosso reino, nada." Reduz o iss de 5% pra 2%, o ITBI de 1% para 0,5%, e extende isso a todas as empresas terceirizadas.

Por outro lado não dá garantia de quantos empregos vai gerar, onde, como e nem pra quem. Fala que irá priorizar a "região" nos empregos, mas não diz o que eles chamam de região (o nordeste do brasil que tem 9 estados, é uma região), e ainda diz que poderá a qualquer momento extinguir os tímidos programas sociais que eles tem nas cidades.

Minha conclusão/opinião: o protocolo é um show de arrogância e prepotência, justificado pelo poder econômico que eles representam e por esse poder, foi imposto aos municípios sem negociações... para eles nós, os urbanosantenses, os chapadinhenses, etc... somos uma "cambada de mortos de fome" que eles vieram salvar com seus projetos mirabolantes que só servem para encher os seus bolsos e destruir o meio-ambiente às custas de alguns empregos temporários.

Desejo boa sorte a Chapadinha, cidade a qual estou a 2 anos aprendendo a gostar.

Quanto a Urbano Santos, costumamos dizer: "esse é o pago" pela cidade ter sido a única que aceitou a Suzano entrar em suas terras em 1980 e "comer tudo".


Iran Avelar
Sociólogo e Professor


P.S. Para verem o protocolo que foi imposto aos municípios e mais sobre minha posição, acessem o Urbano Santos On-Line (www.urbanosantos.blogspot.com)"

(Via comentário, em 29/12/11)


Nossa opinião: O Chapadinha Online tem acompanhado a luta do município de Urbano Santos junto à Suzano para que esta, de algum modo, compense "o estrago" que causou desde que se instalou naquele município, o qual apostou nas promessas da empresa, viu os "louros" serem colhidos por terceiros e, décadas depois, continua sendo um dos mais pobres do Estado. Recentemente, a cidade reclamou uma pequena parcela dos empregos gerados pela fábrica a ser instalada em Chapadinha, mas pelo visto, não teve sua súplica atendida, razão de nossa analogia aos "gafanhotos"... Junte-se a isso os conflitos de terras que pipocam por onde a Suzano passe - e deixando de lado as manobras de cunho eleitoral por parte de certos políticos inescrupulosos - resta-nos a questão: Até que ponto a criação de 10 mil empregos (diretos e indiretos) justificariam os "efeitos colaterais" de um empreendimento desse tipo, em Chapadinha?




logoblog
Comentários
0 Comentários