O professor de canto e artista plástico Simão Pedro Amaral foi vítima de agressão e constrangimento praticados por dois policiais militares que fazem a ronda da comunidade no Bairro do Turu. O fato aconteceu no dia 04/11 (sexta-feira), por volta das 10:00h, em uma rua deserta que dá acesso ao condomínio Porto da Barra da Praia, próximo à Faculdade Atenas Maranhense (Fama).


"Foram momentos de verdadeiro terror", disse Simão. O educador conta que caminhava em direção ao condomínio quando foi abordado pelos policiais Hernandez Chagas e José Ribamar Vieira, os quais estavam em uma viatura do 8º BPM, placa NMU 4540 (Ronda da Comunidade), e lhe ordenaram que parasse imediatamente para uma revista. Ao indagar por que seria revistado, Simão ouviu que era "suspeito" por possuir as características de um marginal que acabara de assaltar uma moradora da área. Simão tem perfil físico afro-descendente, ou seja, é negro.

Durante a revista, a vítima explicou aos policiais que é professor lotado no Centro de Ensino Bernardo Coelho de Almeida (BCA), que dá aulas na Escola de Música do Estado, que é de boa família e, inclusive, tem parentes em corporações militares e um irmão delegado de polícia. Porém, as explicações não foram suficientes para evitar que um dos policiais lhe desse um soco no rosto, mandando-lhe que calasse a boca, com palavras de baixo calão. Revoltado, o professor disse aos policiais que iria denunciá-los pela agressão e pelo constrangimento. Com isso, um dos policiais lhe empurrou violentamente para o interior da viatura.

Após entrar no veículo, o professor conta que os policiais ficaram dando voltas no bairro do Turú: "uma situação de verdadeiro terror e tortura", lembrou. Apesar do clima ameaçador, ele perguntou aos PMs para onde estava sendo levado, mas recebeu como resposta apenas a expressão "Cala a boca!". Desesperado, o professor lembrou que tinha um celular no bolso da calça e, sem que os policiais percebessem, discou o número do telefone de sua casa e falou rápido para quem atendeu: "Estou em um carro da polícia no Turu e eles vão me matar".


Depois disso, os policiais pararam em um ponto de maior movimento no bairro e mandaram o professor descer. Um homem se aproximou da viatura, foi identificado como marido da vítima do assalto e não reconheceu o professor como autor do delito. Percebendo a situação embaraçosa em que se encontravam, os policiais perguntaram a Simão: "Ainda vai denunciar a gente?" Ele respondeu que sim.

Diante dessa afirmação, os PMs sevaram Simão para a Delegacia do Turú e lavraram um boletim de ocorrência, denunciando-o por desacato à autoridade. Enquanto isso, o professor entrou em contato com um advogado e abriu boletim com registro da ação dos policiais, alegando discriminação racial, agressão física e moral, tortura e sequestro.

Descrevendo os momentos de pânico que viveu como resultado da impunidade em casos de violência policial, Simão repudia a ação dos policiais e pede justiça. "Espero que esses policiais sejam punidos pelo que fizeram comigo. A polícia tem o dever de dar proteção à sociedade e não de agredir e coagir cidadãos nas ruas", desabafou.


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