Na madrugada desta terça (25) a sede da Rádio e TV Líder de Vargem Grande foi invadida e teve seus equipamentos queimados. O fogo chegou ao telhado e por pouco não toma conta do prédio inteiro. Ainda de madrugada, os diretores da emissora, juntamente com populares, conseguiram apagar o incêndio, evitando que se alastrasse para os prédios vizinhos.

O delegado local, Odilardo Muniz Lima Filho, informou a este blog que uma perícia comprovou que o incêndio fora "provocado" e que estão sendo tomadas todas as medidas necessárias para que o autor do crime seja identificado e detido. No entanto, é muito improvável que isto aconteça. Entenda o porquê:

Inúmeros suspeitos, motivos de sobra.

Imagem: imirante.com
A referida emissora é ligada à ex-prefeita da cidade, Aparecida Ribeiro (à direita), derrotada nas últimas eleições. A exemplo da maioria dos blogs e emissoras de Chapadinha, a Rádio e TV Líder, entre uma e outra programação voltada ao entretenimento, cumpre o seu verdadeiro papel: servir como instrumento de politicagem; no caso de Vargem Grande, da oposição. Seus dois diretores, que também são locutores/apresentadores, costumam atacar a atual administração na pessoa do prefeito, de seus aliados, de parentes, parentes de aliados e quem quer que seja, desde que renda uma boa reportagem sensacionalista, com uma "injetada" de humor - fato que lhes garante uma enorme audiência na cidade. O problema é que, na maioria das vezes, os "alvos" escolhidos não gostam muito do modo como são "citados" nas matérias...

A lista de pessoas que se dizem "ofendidas" por matérias veiculadas na Líder é infindável. Prova disso são os inúmeros processos que seus diretores respondem na justiça, uma vez que suas vítimas não podem processar a empresa. De acordo com um documento exposto na recepção da emissora, por exemplo, a mesma possui concessão para funcionar apenas como rádio comunitária e sua sede estaria no povoado Mousinho, situado a mais de 6km da zona urbana de Vargem Grande. Em suma, como a emissora é pirata, seus responsáveis é que são demandados na justiça.

Na tarde de ontem um suspeito chegou a ser ouvido: o cunhado do vereador Abdias, conhecido como "Cláudio Play". Segundo a polícia, alguém informou que ele estaria com alguns arranhões na perna e, como tudo indica que o incendiário entrou na emissora pelo telhado, tais ferimentos seriam "suspeitos". Como Cláudio é cunhado do vereador Abdias Cidrão (aliado do governo) e recentemente tinha sido alvo de uma série de matérias de cunho político veiculadas na Líder, a polícia resolveu averiguar, mas acabou por liberá-lo assim que constatou que os ferimentos não eram recentes.

As investigações continuam, mas, como podemos observar, se não forem complementadas com alguma informação plausível, dificilmente darão resultados. Ainda mais com uma "lista de suspeitos" quase interminável...

CLIQUE PARA AMPLIAR (Imgs: Ricardo Carneiro)

Cidade tranquila

Na manhã de ontem, vários curiosos se reuniram diante da sede da emissora e acompanharam seus diretores em "passeata" pelas principais ruas da cidade, inclusive em frente ao prédio do Fórum Eleitoral. Durante a caminhada, os responsáveis pela Líder chegaram a marcar uma manifestação para o final da tarde, mas poucas pessoas compareceram ao evento, uma vez que, por volta do meio-dia, o "calor do momento" já havia se dissipado e a tranquilidade já reinava na cidade. À noite, o episódio já havia se tornado conversa de botequim.

Imagem: TSE
Política é política...

Vale ressaltar que um dos responsáveis pela emissora, Antonio Onezipo Abreu Filho - o "Toninho Abreu" (à direita) - foi candidato a vereador em 2008. Apesar de não ter "emplacado" na época, Toninho vem divulgando que, no próximo ano, voltará a disputar uma vaga na Câmara Municipal de Vargem Grande. Por sinal, o jingle de sua campanha já estaria pronto.

Considerações

Como disse antes, assim como a maioria da mídia chapadinhense, a Rádio e TV Líder opera "partidariamente". E seus diretores costumam abusar do direito à liberdade de expressão. Mesmo assim, nada justifica a invasão de uma propriedade privada e a destruição de bens alheios. Além do que, se o fogo se espalhasse para os domicílios vizinhos, aí sim, uma verdadeira tragédia poderia ter ocorrido.

Em breve, a emissora voltará a funcionar normalmente. É o que esperamos, afinal, como diria Thomas Jefferson, "entre um governo sem imprensa e uma imprensa sem governo, preferimos a segunda opção". Até lá, torcemos para que seus diretores e demais oposicionistas esqueçam um pouco a política e procurem, sem paixões ou interesses escusos, ajudar a polícia nas investigações sobre o caso. Porque, enquanto insistirem em acusar um prefeito que nunca deu a mínima para seus ataques, o verdadeiro criminoso continuará sorrindo, assistindo a tudo, de camarote.


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