Recentemente, a morte da estudante de letras Arkiane chocou e indignou a sociedade chapadinhense, devido à forte suspeita de ela ter sido mais uma vítima do caos instaurado no serviço público de saúde. Seus colegas e professores chegaram a "organizar" uma manifestação que seria realizada na última sexta (14/10), mas tal movimento foi substituído por um debate na Faculdade do Baixo Parnaíba (FAP). Abaixo, os principais fatos que se desenrolaram do dia da tragédia ao famigerado debate:

O Início

Logo após o falecimento de Arkiane, a prof. Raimunda Nonata Fortes Braga, ou Noni Braga, como é conhecida, diretora da faculdade Cresu/FAP (onde a jovem estudava), falou com acadêmicos e mestres sobre a possibilidade de promoverem uma caminhada pela saúde, uma espécie de clamor e, ao mesmo tempo, uma homenagem à estudante e tantos outros que vieram a falecer por conta do atendimento precário prestado em nossos hospitais (vale ressaltar que a maioria dos servidores que atuam no setor, embora ótimos profissionais, encontram-se impedidos de prestar um atendimento adequado, devido às péssimas condições de trabalho).

Quando a prefeita não eleita de Chapadinha ficou a par de tal movimento, procurou imediatamente a professora Noni para conversar. Alguns dizem que ela tentou explicar que os médicos fizeram o possível para salvar a vida da estudante. Outros, que a conversa girou em torno do dinheiro repassado pela prefeitura àquela instituição de ensino, referente ao bolsistas. Na ocasião, vários professores e alunos ficaram com uma pulga atrás da orelha, curiosos sobre a postura de Noni Braga após tal conversa. Segundo os próprios, findo o encontro, ela nada comentou sobre o caso.

O Chamado

Como a caminhada pela saúde (aparentemente) ainda estava de pé, os alunos da FAP iniciaram a convocação, via internet, de outros estudantes e demais pessoas interessadas, inclusive os universitários da UFMA, para participarem do movimento. Vale ressaltar que aprovação dos internautas foi massiva, o que fez os governi$tas entrarem em desespero e arquitetarem um plano para boicotar o movimento estudantil.

O Ardil

Primeiro, ordenaram a seus lacaio$ midiáticos que divulgassem, principalmente via internet, que a caminhada talvez tivesse o "dedo da oposição" ou - nas palavras da prefeita - um "interesse politiqueiro, por trás". A tática, aliás, é utilizada sempre que uma pessoa ou grupo resolve contestar o modus operandi da atual gestão municipal, mas desta vez eles foram mais brandos, pois com estudantes o negócio é mais embaixo...

Visando atacar, também, o "foco" do movimento, a prefeita (não eleita) procurou conversar com Noni Braga novamente. Segundo informações extra-oficiais, ela teria dito à educadora que sua instituição de ensino seria usada politicamente, uma vez que a empresária (e pré-candidata) Belezinha estaria, inclusive, patrocinando as camisas que seriam utilizadas na caminhada, dentre outras coisas. As más-línguas, no entanto, dizem que a ge$tora deve ter colocado Noni Braga contra a parede ameaçando cortar parte da verba do convênio entre a faculdade e o município. A verdade é que nunca saberemos a verdade, mas é de conhecimento público que as duas interlocutoras resolveram transformar o movimento público em um debate privado, mas tão privado que a divulgação foi a mínima possível - ou nenhuma, por parte dos governi$tas.

O Circo

O debate teve início às 17h00min da última sexta-feira (14), no auditório da FAP. Na platéia, aplausos (aos questinamentos) e vaias (ao governi$tas) intercalaram-se durante todo o evento. Em razão de alguns populares terem se exaltado (com razão!) nas questões dirigidas ao governo, a mediadora Noni Braga saiu em defesa de seus "convidados", algumas vezes de maneira ríspida, como quando interrompeu a explanação de algumas pessoas exigindo que "perguntassem logo", advertindo que atentassem para o tema do debate. No entanto, quando a prefeita usou da palavra e passou metade do tempo exaltando-se por ter ido ao local da tragédia ocorrida no dia 23 de setembro, que vitimou nove chapadinhenses, Noni Braga não a advertiu por ter fugido ao assunto. Ao finalizar, Danúbia apontou como solução para o caos na saúde a retomada do HAPA pelo Governo do Estado em dezembro, quase que pedindo aos presentes que aguardassem "sentados" e procurassem não adoecer ou se acidentar até lá.

Em suma, os governi$tas falaram, falaram e não responderam a NENHUMA das questões levantadas pelo público. E quanto às desculpas esfarrapadas de sempre, os próprios funcionários da Saúde já fizeram questão de rebatê-las (leiam aqui!).
Img: Chapadinha site

A diretora da FAP tentou, ainda, dividir a responsabilidade pela situação da Saúde entre a prefeita e a secretária do setor, Maria José Coutinho (foto ao lado - aquela que recebe mais de R$ 30 mil e que, por motivos óbvios, faltou ao debate), como se os atos desta última não necessitassem da conivência da primeira. Ao final, Noni Braga se redimiu um pouco ao dar uns "puxões de orelha" na prefeita e questionar o salário do médico José Almeida (segundo ela, R$ 40 mil).

Destaques

Destaque para o estudante Arkimedes, primo da jovem cuja morte ensejou todos estes acontecimentos. Arkimedes relatou a todos os presentes que acompanhou os últimos momentos da prima e que esta veio a falecer minutos depois que o médico lhe aplicou uma medicação. Arkiane teria sofrido convulsões e ainda foi atendida por um segundo médico, o qual teria dito que não poderia medicá-la novamente, vez que a jovem já tinha recebido atendimento. Ao término de tudo, Arkimedes teria se mostrado muito triste, uma vez que nada de produtivo poderia advir daquele pseudo-debate e, dali em diante, o caso de sua prima seria apenas mais uma "estatística".

Destaque também para os médicos José Almeida - que sorriu quando Noni Braga questionou seu salário de R$ 40 mil - e Sebastião Pinheiro - que, ante as vaias do público, disse não merecer aquele tipo de tratamento - mesmo estando ao lado dos responsáveis diretos pelo inferno que se tornou nossa saúde.

E por fim, destaque para a Equipe Médica do HAPA, a qual, em um primeiro momento, "desconfiou" que a estudante tinha meningite; após seu falecimento, disse ser impossível precisar sem "exames mais complexos" e finalmente, antes e durante o debate, afirmou que a jovem foi vítima de uma violenta encefalite, provavelmente causada por vírus. De quebra (pasmem!), culpou os familiares pela dúvida, uma vez que teriam recusado os exames post mortem recomendados. Ou seja, é uma equipe NOTA 10.

A Vitória

Lembram-se dos "caras-pintadas"? Pois é... Até hoje causam pesadelos em políticos corruptos. Por esta razão foi muito melhor para os governi$tas terem se fingido de surdos diante das perguntas, terem aguentado calados os mais exaltados e sido vaiados dentro daquele recinto fechado que ver uma multidão de estudantes nas ruas, sendo acompanhados por outras pessoas, sendo vistos por tudo e por todos, corroborando o que Chapadinha inteira já sabe: que estamos diante do pior governo da história de nossa cidade. Em suma, os governi$tas saíram no lucro.

Ou não?

A decepção dos que tiveram o desprazer de presenciar o circo no auditório da FAP foi tamanha que vários estudantes ainda cogitam realizar uma caminhada muito em breve, com ou sem Noni Braga. E o convite já está circulando pelas redes sociais.

De uma coisa tenho certeza, nossos jovens cidadãos tem plena consciência do poder que possuem. Resta saber se preferem ir à luta agora ou só daqui a um ano, nas próximas eleições municipais.



PS: Logo mais, vídeo dos principais momentos do pseudo-debate. Aguardem...

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